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sexta-feira, dezembro 26, 2008

Tanto mente

Se você ainda acredita em papai noel recomendo que não leia esse post. Mas se já não acredita no bom velhinho, em contrato de aluguel e outras lendas urbanas pode seguir feliz que esse texto é para você.


Esse textículo (essa deve ser a última piada fraca do ano) é sobre mentira, essa mania que as pessoas tem de contar versões alternativas da realidade, seja pelo bem, seja pelo mal. Contudo se você, como eu, não é seguidor cego de Maquiavel sabe que a mentira é um problema, fere relacionamentos, abala confiança e pode destruir tudo o mais que já existiu se divirta com o texto abaixo, espero (de verdade) que se divirtam!



Mente mente mente...

Eu te amo.
Pode vir que eu estou olhando.
É só a cabecinha.

Tanto mente que nem sente...

É minha primeira vez.
Escrevi apenas para colocar para fora, não vou entregar.
Entendi perfeitamente a especificação.

Sem se importar com o que o outro lado sente...

Não se preocupe, eu tomo pílula.
Eu não quebrei a vidraça.
Eu vou conversar com ele, decidi.

Seja de dia, seja de noite, mente mente...

Essa piranha tá mentindo.
No ay garantia, la garantia soy yo.
Essa assinatura é da minha mãe mesmo.

Se acha acima das leis, acima da verdade, por isso mente mente...

Papai noel existe.
Estou do seu lado.
É só suco.

Crente, no infinito tamanho das curtas pernas mentirosas...

Cheguei às 11 da noite.
Te liguei a tarde inteira.
Você é a pessoa mais importante da minha vida.

Ofende quem ouve, de tanto que mente...

Isso não vai acontecer de novo.
Estou bem, me dá a chave.
Vai lassear.

E ainda faz, falsa, cara de inocente...

A obra será entregue em dia.
Você faz parte da minha vida.
Isso nunca me aconteceu antes.

Se alguém perto, ou longe, de maneira incontestável, a desmente...

Está ficando lindo.
Amanhã te ligo.
Você sabe tudo sobre mim.

com a mesma cara, se assusta ao me ver menos crente...

Eu ia te contar tudo.
Legítimo, 12 anos.
Como você emagreceu.

Agora minta para o espelho.


Obs: Não curto natal, desejo para todos uma feliz vida, como sempre.
Obs2: A imagem é do filme O Mentiroso, excelente filme do Jimy

segunda-feira, dezembro 15, 2008

Eu te apago.

Ah, o lirismo...
Poetas metidos a besta, se metem a deuses com poder de dar imortalidade a sentimentos que por si só são efêmeros. Embalados por fúria, amor, uma calma bucólica, talvez uma alegria incontestável buscam aproveitar, eternizar, como um fotógrafo, momento únicos. Muitas vezes seus, muitas vezes de outrem, quem sabe de outro?

Como um Teste de Rorschach escrito, a poesia tem a interessante capacidade de revelar um pouco de cada um, seja de quem escreve, seja de quem lê.
Se deixe revelar...

*****

Eu te apago
Cada traço escrito, cada memória dolorida
Cada barraco erguido, cada sonho destruído
Eu te apag
Cada jeito forçado, cada dogma rompido
Cada abertura dada, cada abertura invadida
Eu te apa
Cada vela acesa, cada lágrima presa
Cada carta enviada, cada baile frustrado
Eu te ap
Cada explicação repetida, cada entendimento adiado
Cada soco trocado, cada poesia corrigida
Eu te a
Cada exigência inquestionável, cada pedido ignorável
Cada mentira contada, cada invasão flagrada
Eu te
Cada promessa forçada, cada promessa quebrada
Cada apoio oferecido, cada chute recebido
Eu t
Cada vidro quebrado, cada chamada desligada
Por que no final só teve uma pessoa em quem pude contar.
Eu...

quinta-feira, outubro 04, 2007

links links, muitos links

Para começar tem o quadrinho Vida Besta, excelente em qualidade e freqüência. Ajuda a pensar.

Em seguida temos Verdade Absoluta, visita diária, e atualizações muitas vezes mais que diárias.

E em terceiro temos o excelente blog do Ney, conhecido como Interney. Um dos maiores blgos do Brasil.

Para continuar temos também o Chongas, muito famoso e divertido. Também um dos maiores do Brasil.

*****

E em breve desativarei o meu antigo blog, pelo menos a parte dos textos. Alguns republicarei aqui para manter o registro, mas se você gosta de algum sugiro que guarde uma cópia, pois sabe-se lá quando ele será publicado.

Essa é uma pequena "poesia" que escrevi anos atrás, o título é "Eu vi"

Eu vi a fome
daquele que come sua fatia de pão, olha em volta, não vê outra e percebe triste que a fome continua lá e vai continuar

Eu vi a solidão
de alguém que olhou ao redor no fim do dia e não viu alguém para conversar,
que viu na agenda números para quem não poderia ligar e chorou, sozinho

Eu vi a decepção
dos que esperavam mais, queriam mais, lutaram por mais, e mesmo fazendo melhor que todos os demais não conseguiram e se amargaram

Eu vi a dor
de quem a sente a cada instante, física, incessante e vê a morte como único anestésico eficaz

Eu vi a esperança
da sujeita que teve um começo novo, uma folha em branco para redesenhar sua história, sem cruzes nem remorsos que te prendessem no chão

Eu vi a raiva
de quem a sentiu por burrice ou omissão, e por incompetência própria se deu uma cruz para carregar

Eu vi o amor
de alguém que por coragem ou medo derrubou suas barreiras, se jogou de braços abertos e encontrou outros braços gostosos igualmente abertos do outro lado

Eu vi a satisfação
da pessoa que dorme feliz num colo gostoso após toneladas de doces feitos com carinho

Eu vejo a alegria
De alguém que finalmente consegue colocar no papel sentimentos que não são só dele, mas que já foram sentidos como se fossem